À sombra da cidade envolta em névoa, onde os néons se refletiam nas poças como promessas quebradas, estava ela — Lira Voss, uma mulher de cabelos negros como a noite e olhos azuis como o abismo. Seu vestido vermelho, ajustado a cada curva do corpo, parecia pulsar no ritmo de sua respiração enquanto ela se esgueirava pelas ruas estreitas do distrito das sombras. Ali, onde a lei era apenas um sussurro e o poder pertencia àqueles que não tinham medo de tomá-lo à força, Lira se sentia como um peixe na água.
O clube “Crimson Veil” a recebeu com um ar abafado, impregnado pelo cheiro de perfume, suor e algo mais — algo primitivo, que despertava nela o instinto de caçadora. O interior estava mergulhado em vermelho: cortinas de veludo, paredes adornadas com dourados e, no salão, casais se contorcendo em uma dança cujos limites há muito haviam ultrapassado a decência. Lira olhou ao redor, e seu olhar parou em um homem no canto — alto, com os cabelos raspados à escovinha e um rosto que poderia pertencer a um anjo, não fosse a sombra de crueldade nos cantos dos lábios.
— Kael Nexus — sussurrou, reconhecendo-o pela reputação. Diziam que ele havia matado o próprio irmão pelo poder sobre um dos cartéis do submundo. Agora, com uma taça na mão, observava o salão com um olhar frio e calculista. Lira sorriu de leve, ajeitando a luva na mão esguia. Aquele era o território dela. Aquele era o jogo dela.
Ele se aproximou sem fazer barulho. Sua voz, baixa e áspera como uma pedra antiga, vibrou junto ao ouvido dela. — Você não parece alguém que veio aqui apenas para observar, Voss. Sabe o que acontece nesses camarotes?
Lira se virou devagar, roçando os dedos no antebraço dele. — Sei que o poder tem o melhor sabor quando é compartilhado — respondeu, percorrendo sua silhueta com o olhar. Kael estremeceu, embora seu rosto permanecesse imóvel como uma máscara. Ela sabia que ele sentia a mesma tensão — a eletricidade saltando entre os dois antes mesmo de realmente se tocarem.
Ele a conduziu até um camarote privado, onde a luz das velas lançava sombras longas sobre as paredes. Lira se deixou cair no sofá de pelúcia, inclinando a cabeça para trás. Kael hesitou por uma fração de segundo antes de se sentar ao lado dela; seu joelho roçou a coxa dela. — Quer um acordo? — perguntou, mais afirmando do que perguntando.
Lira estendeu a mão para pegar a taça de vinho, girando-a entre os dedos. — Quero algo mais do que um acordo, Kael. Quero… — interrompeu-se, inclinando-se em direção a ele. Suas respirações se misturaram quando ela sussurrou: — …quero que você veja em mim uma rainha, não um peão.
Desejos
Kael Nexus sorriu devagar, e seus olhos brilharam na penumbra como as presas de um predador. — As rainhas morrem primeiro, Lira — respondeu, mas não havia ameaça em sua voz, apenas um desafio. Passou o dedo pela borda da taça dela, deixando no vidro uma marca quase invisível. — E os peões… às vezes os peões se tornam rainhas. Se tiverem coragem.
Lira riu baixinho, e o som ecoou pelas paredes do camarote. — Coragem não basta, Kael. Também é preciso desejo. Ela o encarou, e em seu olhar já não havia jogo — apenas fome, pura e insaciável. — Desejo de poder. Desejo de força. Desejo de sentir como é… ser invencível.
Kael se inclinou, e agora apenas alguns centímetros separavam seus rostos. Ela sentiu o cheiro da pele dele — forte, apimentado, misturado ao aroma de sangue e ferro. Seu hálito roçou os lábios dela quando ele sussurrou: — E se eu disser que posso lhe dar isso?
Lira estremeceu, mas não recuou. — E o que você ganhará com isso? — perguntou, embora soubesse a resposta. Naquela cidade, o poder sempre tinha um preço — e ela estava disposta a pagá-lo. E com juros.
Kael se endireitou bruscamente, e sua mão se fechou sobre o encosto do sofá. — Lealdade. Obediência. E algo mais — acrescentou, fitando-a nos olhos com uma franqueza impiedosa. — Você será minha, Lira Voss. De corpo. De alma. A cada respiração. E eu… eu lhe darei tudo o que deseja. Exceto piedade.
O silêncio entre eles se adensou. Lira sentia o coração martelar no peito, como se quisesse escapar para a liberdade. Ela desejava aquilo. Desejava-o. Desejava o poder que ele prometia. Mas o preço… o preço era terrível.
Por fim, ela sorriu, fria e implacável. — De acordo, Kael. Mas sob as minhas condições.
Limites
Kael Nexus sorriu, mas desta vez seu sorriso já não era predatório — era triunfante. Lira Voss ergueu a taça em um brinde silencioso e então a esvaziou de um só gole, sentindo o líquido amargo queimar sua garganta. Ela estava pronta. Sempre estivera pronta.
Quando se levantou, o tecido do vestido sussurrou suavemente, ajustando-se às curvas de seus quadris. Kael a encarava, e em seus olhos ardia um fogo que já não era apenas desejo — era uma promessa. A promessa de que ele a quebraria. De que a tornaria indestrutível.
Ela se aproximou dele, sentindo o coração bater no ritmo de um tambor selvagem. Kael estendeu a mão, e ela colocou a sua sobre a dele. A pele dele era fria como aço, mas, quando apertou os dedos dela, ela sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo.
Ele se inclinou, roçando os lábios no lóbulo da orelha dela. — Pronta? — sussurrou. Seu hálito estava quente, quase ardente.
Lira riu baixinho, e naquela risada já não havia nada da antiga Lira Voss — a Rainha das Sombras. Agora ela era algo mais. Era fome. Era desejo. Era guerra.
Ela se virou para ele, colando-se a seu corpo inteiro. As mãos dele vagaram por suas costas, deixando marcas dos dedos na pele, e depois deslizaram para baixo, até os quadris. Ela sentiu o peito dele subir e descer no ritmo de sua respiração, e o coração dele bater no mesmo ritmo selvagem que o seu.
Kael a ergueu, e ela envolveu a cintura dele com as pernas. Os lábios dele encontraram seu pescoço, sugando e mordiscando delicadamente, deixando marcas ardentes. Ela gemeu, sentindo uma onda de prazer inundar seu corpo, enquanto cada nervo clamava por mais.
Ele a deitou sobre a mesa, afastando suas pernas com um único movimento fluido. Seus olhos brilhavam selvagemente enquanto a fitava, faminto e voraz. Lira arqueou o corpo, sentindo os dedos dele deslizarem entre suas dobras, despertando o fogo dentro dela.
Kael se inclinou, beijando-a apaixonadamente e enfiando a língua profundamente em sua boca. Seus movimentos se tornavam cada vez mais vorazes, e ela respondia com a mesma paixão, arranhando suas costas e cravando as unhas em seus ombros.
Quando ele entrou nela, ela gritou, sentindo-o esticá-la, preenchendo cada parte de seu corpo. Kael se movia dentro dela ritmicamente, enquanto ela se contorcia sob ele, gemendo seu nome. Cada investida era como uma martelada, como uma explosão que a dilacerava por dentro.
Lira sentia que se aproximava do limite, enquanto a onda de prazer crescia, pulsando no ritmo dos movimentos dele. Kael investiu nela uma última vez e então explodiu dentro dela, gritando seu nome. Desabou sobre ela, respirando pesadamente, e ela o abraçou com força, sentindo seus corpos se tornarem um só.
Ficaram assim por um instante, unidos, e então Kael se ergueu apoiado em um cotovelo, olhando para ela com uma mistura de ternura e selvageria. Lira sorriu, sentindo o coração bater mais calmamente, enquanto a tensão diminuía. Ela era dele. De corpo. De alma. A cada respiração.
E sabia que aquilo era apenas o começo. O começo do poder dos dois. O começo da lenda dos dois.
Kael se inclinou, beijando-a delicadamente na testa. — Bem-vinda a um novo mundo, minha rainha — sussurrou. E ela, Lira Voss, a Rainha das Sombras, sorriu, sentindo o poder fluir por seu corpo, preenchendo cada célula.
Ela era invencível. Era imortal. E era dele. Para sempre.
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