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A primeira vez sob a língua

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O sol atravessava as copas douradas dos bordos, pintando a alameda do parque em tons de âmbar. Julia parou, inspirando profundamente o cheiro da terra úmida e das folhas caídas. Seu olhar foi atraído por um homem sentado sozinho em um banco de madeira, curvado, com as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta preta. Tinha cabelos escuros salpicados de grisalho nas têmporas e os olhos fixos em um ponto vazio à sua frente. Parecia perdido, ou talvez cansado — um alvo perfeito para alguém que gostava de brincar com as convenções.

Ela se aproximou devagar, fazendo o casaco vermelho farfalhar. Parou a um metro dele, sorrindo levemente quando ele ergueu a cabeça, surpreso. Seu rosto, curtido pelo vento, revelava tensão — os músculos da mandíbula estremeceram, como se quisesse dizer alguma coisa, mas não tivesse tido tempo.

“Está frio ficar sozinho aqui, não é?” — ela puxou conversa, apoiando a mão no encosto do banco. Sua voz era suave, com um leve sotaque oriental que sempre surtia efeito nos homens. Inclinou a cabeça, expondo o pescoço esguio, e acrescentou: “Posso mudar isso. Se quiser.”

Ele engoliu em seco. Seu olhar desceu até os lábios dela e depois mais abaixo, até a abertura do casaco, que revelava a borda rendada do vestido. Julia permitiu que ele ficasse olhando, endireitando-se lentamente para realçar a silhueta. Sabia o efeito que causava nos sentidos — anos de prática haviam lhe ensinado a controlar o desejo alheio.

“Como é?” — murmurou ele, pigarreando. Sua voz era áspera, rouca por ser pouco usada.

“Estou propondo… um pequeno aquecimento” — ela se inclinou em direção a ele, roçando os lábios em sua orelha. “Aqui, agora. Ninguém está olhando.” — Olhou ao redor teatralmente, embora não houvesse viva alma por perto. “A menos que prefira ir para um lugar melhor?”

A respiração dele se acelerou. Ela viu a veia pulsar em seu pescoço enquanto ele lutava contra a tentação. Por fim, ele assentiu, inseguro, mas cada vez mais excitado. Julia sorriu triunfante, levando a mão ao cinto da calça dele.

Quando ele se levantou, rígido e desajeitado, ela o segurou pela mão, conduzindo-o para o interior do parque — em direção ao matagal, onde até as folhas pareciam sussurrar sobre o pecado.

Desejos Sensuais

O matagal os envolvia como uma cortina íntima, abafando até o farfalhar dos passos. Julia o encostou ao tronco de um velho carvalho, beijando-o avidamente — o sabor de seus lábios, amargo por causa do tabaco e doce por causa do medo, misturava-se ao gosto metálico dos próprios dentes. As mãos dele tremiam enquanto tentava abrir o casaco dela, mas ela se afastou um pouco, sorrindo de modo provocante.

“Primeiro, você precisa merecer isso” — sussurrou, baixando o olhar — até o volume em sua calça. Abriu a jaqueta dele, revelando uma camisa de flanela desbotada. Seus dedos deslizaram por seu torso, explorando a firmeza dos músculos sob o tecido fino. Ele gemeu quando ela tocou seu mamilo, e ela soltou uma risadinha baixa, satisfeita com a reação.

Ajoelhou-se diante dele, levando a mão ao cinto. Seu membro saiu rígido, inchado, com a cabeça pulsante brilhando de umidade. Julia lambeu os lábios, inalando seu cheiro — uma mistura de suor, sabonete e algo primitivo que a fez estremecer.

Ela o envolveu delicadamente com a boca, provocando o frênulo com a língua. Ouviu-o puxar o ar e depois gemer quando sugou com mais força, levando-o mais fundo. Seus quadris se moveram, tentando se afastar, mas ela o segurou pelas nádegas, impondo o ritmo. Cada movimento de sua garganta era preciso — a ponta do pênis roçava suas amígdalas, e ela fechava os olhos para sentir melhor o tremor do corpo dele.

“Meu Deus…” — ele rouquejou, agarrando-a pelos cabelos. Julia acelerou, levando-o quase até o fim, até seu nariz tocar a parte inferior do abdômen dele. Agora, sugava-o como um bebê, massageando ao mesmo tempo os testículos por cima do tecido da cueca. A respiração dele ficou entrecortada, e suas mãos se fecharam sobre a cabeça dela, quase dolorosamente.

“Isso… isso, porra…” — rosnava ele quando ela começou a girar a língua ao redor da glande. O prazer se espalhava por ele em ondas, e ela sentia seu membro pulsar em sua boca. Por fim, ele explodiu, e ela engoliu tudo, até a última gota, olhando-o nos olhos em triunfo.

Ele caiu de joelhos, respirando pesadamente, enquanto Julia se levantava, ajeitando o vestido. Ela sorriu quando ele ergueu a mão para tocar seu rosto — trêmula, ainda molhada de esperma. “Isso foi só o começo” — sussurrou, afastando-se em direção à alameda, balançando os quadris. O sol voltou a atravessar as folhas, como se nada tivesse acontecido.

Fruto proibido

Quando Julia desapareceu entre as árvores, Marek se apoiou no tronco, ainda atordoado. Sua camisa grudava ao corpo por causa do suor, e o coração batia como um martelo. O que acabara de acontecer era… perfeito. Selvagem, incontrolável, completamente fora de sua zona de conforto. Ainda assim, sentia que era exatamente disso que precisava — daquela faísca que havia acendido nele algo que não conseguia nomear.

Voltou ao banco onde a conhecera e esperou. O sol subiu mais alto, lançando longas sombras entre as árvores. Julia apareceu quinze minutos depois, desta vez sem o casaco, usando um vestido leve que ondulava a cada passo. Sentou-se ao lado dele, sem olhar em seus olhos.

“Foi… bom” — disse baixinho, brincando com a pulseira no pulso. Marek sentiu algo apertar sua garganta. “Mas não podemos voltar aqui. Este lugar é amaldiçoado.”

“Por quê?” — perguntou, embora soubesse a resposta. Julia suspirou, afastando os cabelos da testa.

“Porque, lá, sob o carvalho, algo despertou. Algo que não compreendo. Mas senti… que aquilo era apenas o começo. Que teríamos de seguir em frente.”

Marek segurou a mão dela, áspera por causa do trabalho, mas ainda assim delicada. “Para onde?” — sussurrou.

Julia sorriu, desta vez de um jeito diferente — não provocante, mas carinhoso. “Para onde ninguém nos encontre. Onde poderemos… terminar o que começamos.”

Ela se levantou, estendendo a mão para ele. Marek hesitou por uma fração de segundo e então a seguiu, sem olhar para trás. Sabia que não havia mais volta. Que aquela mulher, aquele momento, o haviam mudado para sempre.

Quando saíram do parque, Julia parou na calçada e se virou para ele. Seus olhos brilhavam misteriosamente, e seus lábios… seus lábios estavam tão perto. Ela o beijou — devagar, profundamente, como se quisesse penetrar em cada célula de seu corpo. E então Marek compreendeu que aquele não tinha sido o primeiro e último encontro. Que aquilo era apenas o começo de algo maior, mais selvagem, mais seu do que qualquer coisa que já vivera.

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